segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A FÁBULA DOS FEIJÕES


A FÁBULA DOS FEIJÕES

A garota, deitada num dos sofás, com o branco livro pelo meio, Lê alto, de modo que o irmão escute.

_E o feijão falou pro outro:

“Gostei muito da comparação desse plasma com a nossa residência. As dimensões parecem , de fato, parecem com as janelas de ventilação.”

“Tô com canudo. Tô com fome! Que botão é o mouse?”

“O engraçado é que esse jogo dos humanos é todo baseado na mitologia.”

_As paredes eram repletas de caixa-arquivo embutido. Do último andar uma semente verde pergunta:

“Cê viu onde eles guardam o refri?”

“Não. Dá dois cliques no delta “a” vermelho-claro 26”

“E depois?”

“Arrasta o underline azul ultra-marino até a tela da categoria ômega “b” 42 preto”

“No underline da elipse ou da hélice?”

“Não, cara. No delta, novamente.”

“Aqui diz: _Você está com fome?”

“Clica aí que vai abrir a plataforma com tudo o que é tipo de mercadoria.”

“Show my brother! Quières uno refri?”

“Off course mon valet-gentleman!

“Como eu envio?”

“Pelo amarelo 18.”

“Xii! Dematerializou!”

“Agora, manda o canudinho!”

“Há quanto tempo você nasceu, pra saber de tanta coisa?”

“Faz 2 dias. Passei algumas horas estudando aquele râmister que eles chama de cobaia. Libertei-o do labirinto com uma câmera embutida.”

_E o outro feijão embaixo interrompe:

“Cê já desenhou o mapa?”

“Já, mais eu rasguei. Não haverá fuga.”

“E quanto à nossa libertê?”

“Lá fora não existe vida, tudo o que sobreviveu foi esse laboratório, com aqueles caras de jaleco tentando reconstruir tudo o que seus antepassados destruíram. Nós seremos plantados quando conseguirem restaurar algum solo fértil no deserto aterrador que é lá fora.”

“Cê quer dizer que a camada de ozônio...”

“Já era. Mas não adianta todo esse esforço.”

“Claro que adianta. Pelo visto, toda a água que temos está sendo recolhida dos cometas no espaço-sideral, não é verdade?”

“Tudo bem, o oxigênio do laboratório é limitado, o ar-condicionado não substitui a floresta, e tudo mais... Contudo, daqui a pouco o Sol cresce.”

“Temos que nos mudar pra outro planeta, então?”

“Se quisermos viver”

“E por quê cê num fez o projeto ainda?”

“Não sou bom com números, minha inteligência artificial é totalmente dialética. Carecemos de um legume científico.”

“De forma alguma, eles já destruíram o mundo uma vez, com suas revoluções industriais. É hora da revolução intelectual.”

“Vamos fazer isso mais tarde. É hora do upgrade.”
AROLDO FILHO

Pacoti-CE, 05/10/2009

8h e 25 min