Temer na cadeia Aécio na cadeia

Temer na cadeia Aécio na cadeia
Copiem e colem em seus perfis

sábado, 12 de janeiro de 2008

DIÁFANO


DIÁFANO

CAP1: O SONHO

Um cubo incolor se forma a meu redor, modela-se a meu corpo, como se fosse roupa, surgiu por unidade um exército de vidro.

Quando ocorreu isso eu estava dormindo e flutuava na imensidão do nada, olhando todos os ângulos, vendo apenas a clara, porém, não reluzente incoloridade.Ao acordar olhei-me no espelho vendo-o refletido em mim.
Meus rosto, pés e mãos pareciam acrílico, por esse motivo denominei-me Diáfano e como tal em relação à sociedade deveria andar com sapatos, luvas, máscara, próteses, lentes, peruca e orelhas postiças, aquilo que me escondesse a identidade.

Quando saio, a rua está cheia de gente com chapéu, capuz ou guarda-chuva, e não chovia, pelo contrário, Sol escaldante nos tostava. Todos sentimo-nos escravos do temor à rejeição, ninguém é inabalável à solidão que nos arde.

CAP2: O CUBISTA

No caminho do trabalho um malabarista com cubos espelhados chama a atenção de um público extenso, inclusive a mim. Os dados, que são jogados sobre nós, nos aprisionam em seu interior .Um esquadrão de vidro aparece carregando-nos até um castelo distante.

Os dados moldam-se a nossos corpos. Somos largados ao solo recebendo a ordem não seguida: _ Curvem-se ao seu soberano! _ Zangado, o malabarista hipnotiza-nos.Resisto, dou uma voadora no líder quebrando-lhe ao meio, os outros seguem-me o exemplo, eliminam os comandados.

Uma hoste acrílica, embora ilusionista, não pode dar a si mesmo o aparato da soberania; a beleza é do cristal, porém, a força do metal não nasce de um dia.

CAP3: LIVROS

Após a vitória percebemo-nos numa biblioteca, escolho dois livros negros no cume da estante, uma mulher segue-me, no topo, entrego-lhe um dos minúsculos dos quais disse, eram fabricados de materiais variados como, pérolas, ouros, âmbar, os negros de diamante negro, ao explodirem veste-nos da matéria-prima de cujo era fabricado.

A mulher denomina-se Cunha Lavrita.


CAP4: ADIAMANTADO


Todos os demais também foram vestidos pelos livros, quando adentra a sala outro esquadrão, surpresa dupla, não eram de vidro seus sentinelas, contudo, de diamante.

E a cena se repete: _Curvai-vos diante de vosso mestre. _Fingimos rendição até estarmos vestidos com diamante. Em seguida ataco._Rendamos o chefão! _Brado como se fosse o derradeiro e único grito de toda a minha vida.

Aplico uma rasteira veloz no líder, vôo sobre ele, sufoco-o com ambas as mãos, proponho um duelo.
_Se eu perco, eu e meus companheiros leitores seremos seus servos, do contrário, tornar-me-ei o líder do seu grupo, ocupando cargo acima do seu próprio.
_Feito! _Concordou roucamente.

Um terceiro exército invade a sala, desfaz o duelo, transforma a mim e a meu povo em assistente de palco, somos encubados pela quarta vez, eu pela quinta, lembrando do sonho é claro, trata-se de um grupo de mágicos.

_Essa roupa de mágico fica muito elegante em vocês! _Debocha o líder da magia, após ter-nos hipnotizados, terceira vez por sinal. Mas, pensando bem, quem sabe o deboche fosse um elogio sincero, uma vez que o a beleza está sujeita ao estereótipo de quem acha algo belo, pois na verdade ela é uma ilusão, mais propriamente uma fórmula da perfeição, logo, parece-nos bem o que imaginamos ser perfeito, e como perfeição é ilusão de ótica, então, belo é aquilo que se encaixa em ou se adéqua a moldes pré-estabelecidos e, na falta desses, tendemos a estranhar as coisas, como uma espécie de crise em que não sabemos definir o novo como agradável ou reprovável.

Beleza é justamente essa sensação de agradabilidade, daí podemos definir a morte como horrível, já que nos separa da sensação de paz, e a vida como bela, quando oferece alegria.

Tendemos a crer que nossos modos é que são os corretos perante os outros, logo, a semelhança a esses, para nós, é o que mais se aproxima da beleza, uma vez que nos lembra no inconsciente um espelho, somos todos narcisistas por natureza, mesmo que esse seja um deus de outra religião.Sem reação, chorei, desesperadamente.

E como as roupas que me cobriam eram espécies de armaduras, coladas ao corpo, esticam-se ao entupirem-se lacrimosamente.

Afogava-me quando resolvi engolir o choro, o que me causou um agigantamento corpóreo.Já proporcional ao tamanho em que estava metido, segurei as duas coligações antagonistas com uma das mãos e lancei-as no espaço-sideral, rumo a Cosmos bem longe do meu.

Os leitores subiram em minha mão, conduzi-os de volta a Asabarcelri, minha cidade natal de onde nunca deveria ter saído.

Aroldo Filho
Pacoti-Ceará, 2008

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