sábado, 12 de janeiro de 2008

CAROL

CAP1: FELICIDADE

Antônio era um sujeito calado, com fama de antipático, mas por baixo do semblante sisudo suspirava um amor platônico por Carol, vivia a sonhar com essa, todavia, faltara-lhe coragem para revelar-lhe seus sentimentos.
Um dia recebera um bilhete:

CONVITE ESPECIAL

Meu estimado amigo,Convido-o para a celebração de meu casamento
Dia três de setembro

Atenciosamente,Carol.

No verso do convite estava escrito a mão:

Caso-me com outro, mas sabe que minha paixão é antiga; um certo Antônio que não demonstrava o que sentia. Se amar-me, é o que almejo veementemente, empeça esse ato insano, do contrário, queime este.

A certeza de uma vida palpitava no peito amado, pior é ser retribuído e não saber. O homem compra paletó, gravata, cartola, mas parece um mágico. Na data esperada é eficaz. Prestes a responder a indagação sagrada a noiva olha ao redor, alguém se aproxima do altar.
_Minha querida, venha cá. Agora sei que posso enfim ser feliz, sempre a amei, esperava um sinal claro, dê-me a mão e partamos o quanto antes. Prometo respeita-la para a eternidade conjugal.
_Não pensei que fosse capaz, meu amor, de tamanha proeza, porém fê-la em boa hora, sigamos nossos sentimentos.

CAP2: O DIA DO MATRIMÔNIO

Ele sorria com ar irônico ao discutir com o progenitor: _Parabéns! _Dizia após o recebimento de uma bronca.
_Pode deixar que eu vou a pé! _E entrega o volante ao outro.
_Continue assim e você perde a carteira, rapaz! _Berra o guarda que se aproximara.
_Seu guarda, eu já lhe passei um esparro, ele só parou porque o obriguei, contudo, hoje é seu casamento, alivia aí, tá?
_Claro, dessa vez passa.
_O senhor pode assistir se quiser, quem convida é o pai do noivo.
_Dê-me o endereço que passo lá mais tarde, afinal o que importa é a festa, ou melhor, a comida, não é verdade?
Já na matriz, antes do “sim”, na expectativa do beijo e do arroz, o vigário entona a clássica oração: “_Quem tiver algo contra essa união, que fale agora ou se cale para sempre!”.
Para a surpresa geral, um tal de Antônio declarava-se à “dama de branco”, o que fez com que todos, até o padre, caíssem no riso a pensar que se tratava de uma brincadeira. O casal enamorado casava-se noutra cidade horas mais tarde.
Carlos não acreditou quando sua futura mulher fugia com outro, saiu furioso, bateu o carro, vagou que se perdeu, com a cabeça a mil, reagiu a um assalto e correu em meio a tiros.
Daquele dia em diante ninguém mais chegou a ver Carlos, nem mesmo seu cadáver fora encontrado.
Alguns meses após, Antônio e Carol foram presos por assassinato, com vários corpos sedentos sobre os lençóis. Dizem, mas ninguém confirma ter provas concretas, que os mesmos assaltantes que atiraram em Carlos é que estariam ali mortos.
E nas celas onde foram presos os protagonistas deste, estava escrito nas paredes, em letras garrafais: A morte, já que virá a todos, está interligada em uma cadeia, mate alguém e estará cometendo suicídio, morra que outros o acompanharam em velórios simultâneos, pois, se os punhos da rede, que somos nós, quebrarem, ela irá abaixo, essa é a lei que seguimos sem consciência.

AROLDO FILHO

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