quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

VOVÓ ASSASSINA



Antes de ontem, ao subir no ônibus, um grupo de rapazes tirava sarro de uma senhora, um deles esfregava a cabeça num gesto de dor. Eram quatro jovens que voltavam pra casa; participam de um projeto do exército no qual fazem estágio em troca de estudo, pelo que entendi._Ele está moco!_Dizia o da frente.Não passamos a roleta pois não tinha lugar vago na frente. Sobrou apenas um espaço junto aos garotos, onde minha mãe sentou._Cara, se eu tivesse em pé tinha caído!_Afirmou o que esfregava a nuca._Se ele não tivesse merendado...


_Ela disse: _Vou bater num desses três._Eu ouvi._Zombou um deles. E explicou: Quando ela entrou,_Apontou para a senhora com duas sacolas de compras emaranhadas junto à janela._o motorista acelerou de repente e a sacola bateu na cabeça dele._Se fosse em mim, eu tinha desmaiado._Falou entre risos o que se mantivera quieto até então._Pelo meno tu tem três pra te carregar._Falei._É, eles me jogam no camburão do lixo._É o táxi._Concluí.


_Ninguém pode passar primeiro ou..._Minha mãe fez o gesto de tesoura cortando. Depois contou um acontecido:" Três mulheres conversavam alto perto de mim, eu estava meio com raiva e disse: _Parece um bando de periquitos!Uma falou: _Depois dessa, eu nunca mais bebo Coca-Cola!Percebi que meu vestido lembrava realmente, pelos detalhes granulados e pela cor._Mãe,_Advertiu minha filha._a gente não mexe com esse povo desconhecido._Agora é tarde. Respondi.

Nesse momento, a senhora promete à sua vítima não intencional que não parava de se mal-dizer:_Você vai ganhar um presente lá na frente._Outra piza._Zombou um dos colegas._Vamos apostar como daqui pra noite tu apanha?_O Fernando Sabino_Interrompi, após um descer._Serviu o exército também._Só tu que não serviu._Atalhou minha mãe._Ele respondia no lugar de um colega e vice-versa quando o outro fugia.
_O sargento lá é lesado, passa só uma folha. A gente assina por todo mundo.A senhora se vira para o trocador e indaga:_Eu posso descer por trás._Ele não permite._Eu não pago a passagem se o motorista não abrir a porta._Eu não também não pago._Eu não passo meu pass-card.

A senhora se levantou, o garoto que fora golpeado ajudou-a com as compras, entre as quais, frangos congelados. Percebemos o peso, ele disse que fora justo do lado mais pesado que acertara sua cabeça._Passe, vovó assassina. Em seguida, eu entrego pela porta._E o fez._É agora que me vingo!_Disse minha mãe a sorrir apontando para ele.Quando a senhora recebe as compras do garoto, os outros se levantam e berram: _Vai-te embora, velha assassina!

AROLDO FILHO
Fortaleza-CE
30/3/2007

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