terça-feira, 11 de dezembro de 2007

QUANDO O MEU CORPO FOR AURORA

Seremos História um dia
Reminiscências de quem nos inventou nas láudas vastas de cada filamento inspirado
De homens em personagens do escritor empenhado nos falsificará a caneta alquimista
Figuras mistas de mistérios subdesvendados séculos a fora
Quando o meu corpo for aurora, quem sabe parte de mim seja banhada por lágrimas salinas enquanto meus raios luminosos incandeiam minha própria escuridão
Sou o Universo em expansão, mescla de tantos outros quanto existirem
Serei maior do que a síntese de agora, esse corpo me engana ao prender-me à essa consciência que em mim aflora
Estarei livre como outrora, antes de viver
Vida e morte se irmanam, como nunca vou saber, num ciclo que transforma matéria bruta em ser
Esse eu que avisto é um equívoco que habita em mim
Por que sinto que sou tudo se não sei nada fora desse ser pensante, minha infinda divisão, habitante do pensamento, que se opõe à liberdade tardia?
Amanhece, outro ilusório dia, nesse tempo irreal, da noite, que me irradia

AROLDO FILHO


Fortaleza-Ceará

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